terça-feira, 12 de abril de 2011

Influências / Mestres

Emílio Mira y López

Nasceu em Santiago de Cuba. Em 1898, sua família retornou à Espanha, fixando-se, de início, na Galícia e, a partir de 1902, em Barcelona, onde Mira y López concluiu sua formação escolar básica e a graduação em Medicina (1917). Realizou o doutorado em Madri.

Psiquiatra, seu primeiro contato com a Psicologia ocorreu em 1919, no Instituto de Orientação Profissional da Catalunha, onde foi Chefe do Laboratório de Psicofisiologia, cargo alcançado por concurso. Em 1926 assumiu a direção geral do Instituto. Filiado ao Partido Socialista, exerceu a chefia dos serviços psiquiátricos do exército republicano, durante a Guerra Civil Espanhola.
Com a vitória de Francisco Franco (1939), Mira y López abandonou a Espanha, onde jamais retornou. Durante sua permanência nesse país, publicara Teoria y prática del psicoanálisis (1926), Manual de psicologia jurídica (1932) e Manual de psiquiatria (1935).

De 1939 a 1945, Mira y López percorreu vários países, proferindo conferências, ministrando cursos, coordenando ou realizando pesquisas e dirigindo atividades práticas, nos domínios da Psicologia e da Psiquiatria. Demorou-se particularmente na Inglaterra (onde, detentor de uma bolsa de research fellow no Maudsley Hospital, desenvolveu seu projeto PMK), na Argentina e no Uruguai. Casou-se em 1919 com Pilar Campins Garriga, de quem se divorciou durante sua estada no Uruguai. Voltou a casar-se, com Alice Madeleine Galland, desde então sua colaboradora incansável e cuidadosa guardiã de sua memória. Três filhas nasceram da primeira união: Pillar, Emilia e Montserrat. Do segundo casamento nasceram - todos no Brasil - Nuria, Rafael, Emilio Carlos (falecido com poucos meses de vida) e Emilio.
O primeiro contato de Mira y López no Brasil ocorreu em maio de 1945. A convite da Universidade de São Paulo - USP, Instituto de Organização Racional do Trabalho - IDORT, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI e Estrada de Ferro Sorocabana, pronunciou conferências e deu um curso de Psicologia Aplicada ao Trabalho. Em outubro do mesmo ano voltaria ao Brasil, Rio de Janeiro, para se ocupar de um curso que foi um marco na história da Psicologia aplicada no Brasil: o curso do Departamento Administrativo do Serviço Público - DASP, concluído em outubro de 1946. Logo depois, Mira y López foi convocado para assumir a direção do Instituto de Seleção e Orientação Profissional - ISOP (Fundação Getúlio Vargas), em fase de organização no Rio de Janeiro.

Ao lado do PMK, o ISOP, a um tempo laboratório, sala de aula, consultório psicológico, gabinete de seleção e orientação, foi a obra mais importante criada por Mira y López, à qual ele deu dimensão acadêmica e projeção internacional. Desenvolveu entre seus colaboradores o hábito de escrever e publicar, criando, para isso, os Arquivos Brasileiros de Psicotécnica - hoje Arquivos Brasileiros de Psicologia.

Sua influência cedo ultrapassou os limites do Rio de Janeiro, estendendo-se, praticamente, a todo o Brasil. Ao lado de outros psicólogos, Mira y López participou das lutas pela regulamentação da profissão e pela formação acadêmica regular do psicólogo no Brasil. Escreveu numerosos livros, abrangendo os campos da Psicologia, Psiquiatria e Educação. Faleceu em Petrópolis -RJ.




Paulo Freire

Nasceu em Recife em 1921 e faleceu em 1997. É considerado um dos grandes pedagogos da atualidade e respeitado mundialmente. Em uma pesquisa no Altavista encontramos um número maior de textos escritos em outras línguas sobre ele, do que em nossa própria língua.

Embora suas idéias e práticas tenham sido objeto das mais diversas críticas, é inegável a sua grande contribuição em favor da educação popular. Publicou várias obras que foram traduzidas e comentadas em vários países. Suas primeiras experiências educacionais foram realizadas em 1962 em Angicos, no Rio Grande do Norte, onde 300 trabalhadores rurais se alfabetizaram em 45 dias.
Participou ativamente do MCP (Movimento de Cultura Popular) do Recife.
Suas atividades são interrompidas com o golpe militar de 1964, que determinou sua prisão. Exila-se por 14 anos no Chile e posteriormente vive como cidadão do mundo. Com sua participação, o Chile, recebe uma distinção da UNESCO, por ser um dos países que mais contribuíram à época, para a superação do analfabetismo.

Em 1970, junto a outros brasileiros exilados, em Genebra, Suíça, cria o IDAC (Instituto de Ação Cultural), que assessora diversos movimentos populares, em vários locais do mundo. Retornando do exílio, Paulo Freire continua com suas atividades de escritor e debatedor, assume cargos em universidades e ocupa, ainda, o cargo de Secretario Municipal de Educação da Prefeitura de São Paulo, na gestão da Prefeita Luisa Erundina, do PT.

Algumas de suas principais obras: Educação como Prática de Liberdade, Pedagogia do Oprimido, Cartas à Guiné Bissau, Vivendo e Aprendendo, A importância do ato de ler.

Pedagogia do Oprimido

Para Paulo Freire, vivemos em uma sociedade dividida em classes, sendo que os privilégios de uns, impedem que a maioria, usufrua dos bens produzidos e, coloca como um desses bens produzidos e necessários para concretizar o vocação humana de ser mais, a educação, da qual é excluída grande parte da população do Terceiro Mundo. Refere-se então a dois tipos de pedagogia: a pedagogia dos dominantes, onde a educação existe como prática da dominação, e a pedagogia do oprimido, que precisa ser realizada, na qual a educação surgiria como prática da liberdade.

O movimento para a liberdade, deve surgir e partir dos próprios oprimidos, e a pedagogia decorrente será " aquela que tem que ser forjada com ele e não para ele, enquanto homens ou povos, na luta incessante de recuperação de sua humanidade". Vê-se que não é suficiente que o oprimido tenha consciência crítica da opressão, mas, que se disponha a transformar essa realidade; trata-se de um trabalho de conscientização e politização.

A pedagogia do dominante é fundamentada em uma concepção bancária de educação, (predomina o discurso e a prática, na qual, quem é o sujeito da educação é o educador, sendo os educandos, como vasilhas a serem enchidas; o educador deposita "comunicados" que estes, recebem, memorizam e repetem), da qual deriva uma prática totalmente verbalista, dirigida para a transmissão e avaliação de conhecimentos abstratos, numa relação vertical, o saber é dado, fornecido de cima para baixo, e autoritária, pois manda quem sabe.

Dessa maneira, o educando em sua passividade, torna-se um objeto para receber paternalisticamente a doação do saber do educador, sujeito único de todo o processo. Esse tipo de educação pressupõe um mundo harmonioso, no qual não há contradições, daí a conservação da ingenuidade do oprimido, que como tal se acostuma e acomoda no mundo conhecido (o mundo da opressão)- -e eis aí, a educação exercida como uma prática da dominação.

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